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terça-feira, 1 de outubro de 2013

FLORES DE PERDÃO


"e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa" (Mateus 5:40).

Um dia, quando Stan Mooneyham caminhava ao longo de uma trilha na África Oriental com alguns amigos, sentiu um delicioso perfume no ar. Ele olhou para cima, nas árvores, e ao redor, nos arbustos, tentando descobrir de onde vinha aquela maravilhosa fragrância. Percebendo o esforço de Stan, seus amigos lhe disseram que olhasse para baixo, para as pequenas flores azuis ao longo do caminho. Enquanto eles esmagavam as minúsculas flores com os pés, elas lançavam seu perfume no ar. Seus amigos lhe disseram: "Nós as chamamos de flores do perdão". Elas não esperam que lhe peçamos perdão por esmagá-las. Não lançam seu perfume em pequenas doses, nem aguardam que façamos com elas um acordo recíproco. Não esperam por desculpas; elas perdoam livremente, completamente, ricamente. Que exemplo comovedor de perdão ultrajante!

E nós, estamos prontos e dispostos a perdoar? Estamos preparados para esquecer o mal que nos fazem e, em vez de revidar ou de nos vingar, entendemos que o Senhor deseja que nossas atitudes, mesmo quando somos feridos, sejam de puro amor? Estamos convictos que devemos brilhar mesmo quando as dores nos estimulem a manter a luz apagada?

O revide mais eficaz de um verdadeiro cristão está em estender a mão a quem lhe vira as costas; é sorrir com simpatia a quem lhe fecha o semblante com rancor; é ajudar a vencer a alguém que trabalhe para que só alcance derrotas.

O mundo jaz no maligno -- nós caminhamos na presença de Deus. O mundo armazena egoísmo -- nós distribuímos generosidade. O mundo prega a incredulidade -- nós cremos e compartilhamos fé.

Se uma pessoa insistir em tirar-lhe a paz, aproveite e ofereça-lhe também o seu amor, a sua esperança, a sua
alegria, a sua vida abundante, uma mão para ajudá-la a chegar ao Céu.

Semeie, a cada dia, flores de perdão em seu coração. O mundo ao seu redor será muito mais bonito, mais agradável, mais perfumado.
Paulo Barbosa
Um cego na Internet
Ministério Para Refletir - 17 anos de vitórias!

sábado, 6 de julho de 2013

ASSUNTOS PARTICULARES

Então, José, não podendo conter diante de todos os que estavam com ele, bradou: fazei sair todos da minha presença! e ninguém ficou com ele, quando José deu a conhecer a seus Irmãos. Gênesis 45.1

Uma das coisas que me chamam a atenção em José não é somente sua fidelidade, mas sua prudencia. José não discutia assuntos particulares delicados na presença de quem é do Egito. Muitas vezes falamos coisas do povo de Deus diante daqueles que nada tem a com a Aliança. Quem é do Egito não precisa saber da tua vida particular. Que sejamos prudentes, pois agindo assim evitaremos muitos escândalos. Deus nos abençoe!
Pr. Hugo Araújo.
(Enviado por e-mail)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

SOBRE A UNIDADE


Como devemos entender aquela "unidade", que deve existir entre os cristãos, solicitada por Jesus? (João 17.21). A "unidade" como uma "unificação" de pensamentos ou de atitudes me parece algo difícil de ser concretizado neste mundo, porque fomos inseridos numa sociedade pluralista e criados em sistemas educacionais bem diversificados. Na igreja não é diferente! Se numa mesma linha teológica já há divergências, quanto mais numa diversidade de teologias! Eu penso que a unidade requerida por Jesus é a "unidade da fé", ou seja, a de uma fé comum, sendo ele próprio a origem e o alvo dessa fé adotada pelos seus seguidores. Por isso ele dizia que quem não era contra ele, era por ele, mesmo que não pertencesse àquele grupo que o acompanhava (Lucas 9.49,50). Quando Jesus se refere a essa unidade, a meu ver, ele não está exigindo que todos adotem uma mesma linha teológica humana. Ele nem mesmo se preocupou em nomear a sua igreja, considerando-a apenas como "a minha igreja" (Mateus 16.18), para que ninguém se arrogasse o direito de considerar a igreja que frequenta como sendo a única verdadeira. A unidade a que Jesus se refere, penso eu, é aquela que une as pessoas em uma mesma fé bíblica. Neste sentido, já somos "um" em Cristo, porque possuímos a mesma fé nele e compartilhamos de uma salvação comum. Até que cheguemos "à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Efésios 4.13), estaremos sendo aperfeiçoados nessa unidade. (João 17.23).

Pb. Samuel Junqueira
(Enviado via e-mail)

quarta-feira, 22 de maio de 2013

OS PROBLEMAS DELES... OU MEUS


"Esconde o teu rosto dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniquidades" (Salmos 51:9).

Um homem foi visitar um psiquiatra. Ele tinha uma fatia grossa de toucinho em cada orelha e um ovo em cima de sua cabeça. Disse o homem: "Doutor, eu preciso conversar com o senhor sobre um problema de minha esposa." Dr. Jerry Vines (Serviços de Capelania, 22/04/1997)

Nem todos nós temos problemas de saúde mental como aquele homem, porém, muitos de nós temos a mesma mania de achar que os problemas, os erros, as falhas e as imperfeições estão sempre nas outras pessoas. Estamos certos e todos estão errados. Somos os santos e os demais são os pecadores.

Na igreja, os resultados não são os melhores porque o irmão fulano e a irmã beltrana não levam a obra de Deus a sério. No trabalho, enquanto nos esforçamos e damos o que temos de mais positivo, outros são relaxados e preguiçosos. Em nossos relacionamentos,as coisas vão de mal a pior porque os amigos
se mostram indiferentes e alheios às circunstâncias. Os defeitos são deles e as virtudes são nossas.

Por que não somos inteiramente felizes? Por que não conseguimos realizar nossos sonhos? Por que nossos objetivos são sempre interrompidos? Por que caminhamos sem parar e não chegamos a lugar algum? Quem é o culpado de nosso aparente fracasso?

É provável que ninguém seja culpado, nem mesmo nós mesmos. O que nos falta é dedicação, determinação, confiança plena no Deus que está ao nosso lado e prometeu nos ajudar. O que nos falta é deixar de lado todo o desânimo, toda a inquietação, todas as murmurações e lamentações. Falta-nos fé -- e o Senhor Jesus está pronto a nos encher dessa maravilhosa fé e certeza de vitórias.

Esqueçamos os outros. Deixemos de lado o pensamento de que estão errados. Confiemos em Deus e na força que Ele nos dá. Nós venceremos... aprenderemos a ver virtude nos demais... e, principalmente, em nós mesmos.

Em vez de procurarmos um psiquiatra, busquemos a Deus. Em vez de Lhe falar dos problemas dos que nos cercam, falemos da bênção de tê-Lo no coração e dos acertos que passaremos a ter por crer totalmente nEle.

Paulo Barbosa
Um cego na Internet
Ministério Para Refletir - 16 anos de vitórias!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A CRUZ TROCADA


Há poesia chamada “A cruz trocada”, que fala de uma mulher que , muito cansada, achou que a sua cruz era mais pesada do que a das pessoas à sua volta, e desejou trocá-la por outra.
Certa vez sonhou que tinha sido levada a um lugar onde havia muitas cruzes, de diversos formatos e tamanhos.
Havia uma bem pequena e linda, cravejada de ouro e pedras preciosas.
“Ah, esta eu posso carregar facilmente”, disse ela.
Então a tomou; mas seu corpo frágil estremeceu sob o peso daquela cruz.
As pedras e o ouro eram lindos, mas o peso era demais para ela.
A seguir viu uma bonita cruz, com flores entrelaçadas ao redor de seu corpo e braços.
Esta seria a cruz ideal, pensou.
Então a tomou; mas sob as flores havia espinhos, que lhe feriam os ombros.
Finalmente, mais adiante, viu uma cruz simples, sem joias, sem entalhes, tendo apenas algumas palavras de amor inscritas nela.
Pegou-a, e viu que era a melhor de todas, a mais fácil de carregar.
E enquanto a contemplava banhada pela luz que vinha do céu, reconheceu que era a sua próprio cruz.
Ela a havia encontrado de novo, e era a melhor de todas, e a que lhe pareceu mais leve.
Deus sabe melhor qual é a cruz que devemos levar.
Nós não sabemos o peso da cruz dos outros.
Invejamos uma pessoa que é rica; a sua cruz é de ouro e pedras preciosas, mas não sabemos o preço que tem.
Ali está outra pessoa cuja vida parece muito agradável.
Sua cruz está ornada de flores.
Se pudéssemos experimentar todas as outras cruzes que julgamos mais leves do que a nossa, descobriríamos por fim que nenhuma delas é tão certa para nós como a nossa.



Glimpes Window

quinta-feira, 18 de abril de 2013

MOSTRAR OS ACERTOS OU ENCOBRIR OS ERROS


"Tu, ó Deus, bem conheces a minha estultice; e os meus pecados não te são encobertos" (Salmos 69:5).

O pequeno Carlos terminou sua oração, antes de dormir, da seguinte maneira: "Por favor, querido Deus, faça com que Salvador seja capital da Paraíba! Amém". "Carlinhos", disse sua mãe, "por que você pediu tal coisa?" o menino explicou: "Porque foi isso que eu escrevi, hoje, em minha prova de Geografia!"

É engraçado lermos uma ilustração como a de hoje. As crianças têm muita imaginação. Mas, muitos de nós, temos a mania de pedir a Deus para agir de tal forma que justifique nossos próprios erros.

Fazemos o que está errado; sabemos que estamos errando; mas não tomamos a iniciativa de corrigir nossas faltas e mudar a nossa vida. E ainda pedimos a Deus que nos abençoe e "conserte" tudo o que fizemos de errado.

Mentimos e pedimos a Deus que não leve em consideração o que falamos. Agimos de maneira falsa e leviana e pedimos a Deus que ninguém descubra o que fizemos. Buscamos os prazeres do mundo, sabendo que não devíamos proceder assim e pedimos a Deus para nos perdoar, prometendo (sem intenção de cumprir a promessa) que nunca mais faremos aquilo.


Rimos da oração do Carlinhos, mas, de maneira indireta, pedimos a Deus para mudar o local da reunião da igreja para a lanchonete da esquina, onde encontraremos com amigos. Achamos que a oração do menino é coisa de criança, mas, pedimos a Deus que a saída dos jovens para evangelizar seja mudada para um campo de futebol, pois, é lá que pretendemos estar no exato momento da distribuição de folhetos.

E de pedidos em pedidos, vamos escondendo nossos pecados e orando para Deus não permitir que "outros" os encontre.

Você pede a Deus para abençoar seus acertos ou para encobrir seus erros?

Paulo Barbosa
Um cego na Internet
Tel/Brasil: 31 3712-2248
Tel/USA: 321-234-1386
Ministério Para Refletir - 16 anos de vitórias!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

COMO UMA CEBOLA


"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã"
(Salmos 30:5).

"A vida é como uma cebola; você descasca uma camada de cada
vez e às vezes você chora." (Colleen Spencer - Assistente de
Diretoria na Universidade de Maine-USA)

Muitos são os desafios em nossa caminhada neste mundo.
Muitos são os obstáculos a vencer. Muitas são as dificuldades a superar. Muitos são os momentos de choro e muitos, também, são os momentos de alegria.

Quando Jesus Cristo está presente em nossos corações, podemos passar por lutas, dificuldades, angústias e sofrimentos, porém, o fato de sabermos que Ele está ao nosso
lado, que tem propósitos para edificar nossas vidas e fortalecer nossa fé, nos dá ânimo que não encontramos em nenhum outro lugar.

Cada camada da "cebola da vida" é descascada com a firme convicção de que nada poderá impedir a nossa bênção e felicidade. Enfrentaremos bravamente os percalços do caminho
e, com confiança e determinação, chegaremos ao lugar almejado e comemoraremos a realização de todos os nossos sonhos.

Muitas são as dicas apresentadas por donas de casa para que a cebola seja descascada sem provocar choro. Uma delas é conservá-la debaixo de água.

Quando colocamos nossas vidas debaixo da graça de Deus, não sentimos os efeitos do choro que a cebola dos dias nos reserva. Nossa vida é "purificada com a lavagem da água,
pela palavra". Mas, mesmo que os momentos de choro sejam inevitáveis, com Cristo sabemos que a tristeza durará uma noite e a alegria logo virá, pela manhã.

Confiemos nEle... esperemos nEle... todo o choro passará e a felicidade nos acompanhará por toda a eternidade.

Paulo Barbosa
Um cego na Internet
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Ministério Para Refletir - 16 anos de vitórias!

DIA DO SOL


Hoje, dia 15 de abril de 2013, é comemorado o aniversário de Kim Il-Sung, considerado o fundador da nação norte-coreana. Esse dia é chamado de “Dia do Sol”, pois eles acreditam que foi nesse dia que o sol voltou a brilhar no país. Apesar de Kim Il-Sung ter morrido em 1994, ele ainda é considerado o “presidente eterno” da nação e adorado por muitos norte-coreanos como um deus. Nesse mesmo dia é comemorado o aniversário da Coreia do Norte, que completa 101 anos de um regime ditatorial.

Em virtude da atual tensão em que as coreias vivem no momento, o dia 15 de abril (feriado no norte) será um dia em que o líder norte-coreano vai querer demonstrar seu poder e força. Grandes demonstrações públicas do exército norte-coreano estão agendadas para hoje.

O eterno presidente (Kim Il-Sung) afirmava em vida que cresceu dentro de uma família Presbiteriana. Dizia que seu avô era pastor e seu pai foi presbítero, no entanto, não há como confirmar essas informações. Sendo verdade ou não, Kim tinha um pouco de conhecimento da Verdade.

Como cristãos não devemos tomar nenhum partido político, mas sim, lutar em favor da justiça e ser contra o sofrimento humano. Por isso, diante dessa tensão entre as coreias que já se arrasta há anos, oremos:

1.       Para que esse regime opressor seja derrubado;
2.        Pela paz entre as coreias e pela proteção dos inocentes em caso de uma guerra;
3.        Pelos líderes e autoridades dessas duas nações;
4.        Pelo amor nos corações desses líderes, amor esse que supera a Guerra;
5.        Pela Igreja, onde no sul é livre e imensa, porém, no norte é secreta e sofrida;
6.        Por um avivamento, por conversões;
7.        Para que o impossível aconteça.

Uma cristã secreta norte-coreana afirmou que “quando olhamos para uma situação de forma natural, achamos que é impossível, mas quando olhamos com os olhos da fé, entendemos que nosso Deus é o Deus dos impossíveis”.

O Projeto Abraão quer desafiar você a orar pelas coreias nessa semana. Chame um grupo de amigos, irmãos em Cristo, vizinhos, comunidade, sua Igreja e interceda em favor dessas nações.

Nós cremos no Deus dos impossíveis, por isso, oramos.

Que Ele ouça a nossa oração!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Como assim, "não toqueis no ungido do Senhor..."?!

Ilustração de Samuel ungindo
Davi como rei de Israel
Há várias passagens na Bíblia onde aparecem expressões iguais ou semelhantes a estas do título desta postagem:
A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas (1Cr 16:21-22; cf. Sl 105:15).
Todavia, a passagem mais conhecida é aquela em que Davi, sendo pressionado pelos seus homens para aproveitar a oportunidade de matar Saul na caverna, respondeu: "O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele [Saul], pois é o ungido do Senhor" (1Sm 24:6).

Noutra ocasião, Davi impediu com o mesmo argumento que Abisai, seu homem de confiança, matasse Saul, que dormia tranquilamente ao relento: "Não o mates, pois quem haverá que estenda a mão contra o ungido do Senhor e fique inocente?" (1Sm 26:9). Davi de tal forma respeitava Saul, como ungido do Senhor, que não perdoou o homem que o matou: “Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor?” (2Sm 1:14).

Esta relutância de Davi em matar Saul por ser ele o ungido do Senhor tem sido interpretado por muitos evangélicos como um princípio bíblico referente aos pastores e líderes a ser observado em nossos dias, nas igrejas cristãs. Para eles, uma vez que os pastores, bispos e apóstolos são os ungidos do Senhor, não se pode levantar a mão contra eles, isto é, não se pode acusa-los, contraditá-los, questioná-los, criticá-los e muito menos mover-se qualquer ação contrária a eles. A unção do Senhor funcionaria como uma espécie de proteção e imunidade dada por Deus aos seus ungidos. Ir contra eles seria ir contra o próprio Deus.

Mas, será que é isto mesmo que a Bíblia ensina?

A expressão “ungido do Senhor” usada na Bíblia em referência aos reis de Israel se deve ao fato de que os mesmos eram oficialmente escolhidos e designados por Deus para ocupar o cargo mediante a unção feita por um juiz ou profeta. Na ocasião, era derramado óleo sobre sua cabeça para separá-lo para o cargo. Foi o que Samuel fez com Saul (1Sam 10:1) e depois com Davi (1Sam 16:13).

A razão pela qual Davi não queria matar Saul era porque reconhecia que ele, mesmo de forma indigna, ocupava um cargo designado por Deus. Davi não queria ser culpado de matar aquele que havia recebido a unção real.

Mas, o que não se pode ignorar é que este respeito pela vida do rei não impediu Davi de confrontar Saul e acusá-lo de injustiça e perversidade em persegui-lo sem causa (1Sam 24:15). Davi não iria matá-lo, mas invocou a Deus como juiz contra Saul, diante de todo o exército de Israel, e pediu abertamente a Deus que castigasse Saul, vingando a ele, Davi (1Sam 24:12). Davi também dizia a seus aliados que a hora de Saul estava por chegar, quando o próprio Deus haveria de matá-lo por seus pecados (1Sam 26:9-10).

O Salmo 18 é atribuído a Davi, que o teria composto “no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul”. Não podemos ter plena certeza da veracidade deste cabeçalho, mas existe a grande possibilidade de que reflita o exato momento histórico em que foi composto. Sendo assim, o que vemos é Davi compondo um salmo de gratidão a Deus por tê-lo livrado do “homem violento” (Sl 18:48), por ter tomado vingança dos que o perseguiam (Sl 18:47).

Em resumo, Davi não queria ser aquele que haveria de matar o ímpio rei Saul pelo fato do mesmo ter sido ungido com óleo pelo profeta Samuel para ser rei de Israel. Isto, todavia, não impediu Davi de enfrentá-lo, confrontá-lo, invocar o juízo e a vingança de Deus contra ele, e entregá-lo nas mãos do Senhor para que ao seu tempo o castigasse devidamente por seus pecados.

O que não entendo é como, então, alguém pode tomar a história de Davi se recusando a matar Saul, por ser o ungido do Senhor, como base para este estranho conceito de que não se pode questionar, confrontar, contraditar, discordar e mesmo enfrentar com firmeza pessoas que ocupam posição de autoridade nas igrejas quando os mesmos se tornam repreensíveis na doutrina e na prática.

Não há dúvida que nossos líderes espirituais merecem todo nosso respeito e confiança, e que devemos acatar a autoridade deles – enquanto, é claro, eles estiverem submissos à Palavra de Deus, pregando a verdade e andando de maneira digna, honesta e verdadeira. Quando se tornam repreensíveis, devem ser corrigidos e admoestados. Paulo orienta Timóteo da seguinte maneira, no caso de presbíteros (bispos/pastores) que errarem:
"Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam" (1Tim 5:19-20).

Os “que vivem no pecado”, pelo contexto, é uma referência aos presbíteros mencionados no versículo anterior. Os mesmos devem ser repreendidos publicamente.

Mas, o que impressiona mesmo é a seguinte constatação. Nunca os apóstolos de Jesus Cristo apelaram para a “imunidade da unção” quando foram acusados, perseguidos e vilipendiados pelos próprios crentes. O melhor exemplo é o do próprio apóstolo Paulo, ungido por Deus para ser apóstolo dos gentios. Quantos sofrimentos ele não passou às mãos dos crentes da igreja de Corinto, seus próprios filhos na fé! Reproduzo apenas uma passagem de sua primeira carta a eles, onde ele revela toda a ironia, veneno, maldade e sarcasmo com que os coríntios o tratavam:
"Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.
Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens.
Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis.
Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar; pelo contrário, para vos admoestar como a filhos meus amados. Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus. Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores" (1Cor 4:8-17).
Por que é que eu não encontro nesta queixa de Paulo a repreensão, “como vocês ousam se levantar contra o ungido do Senhor?” Homens de Deus, os verdadeiros ungidos por Ele para o trabalho pastoral, não respondem às discordâncias, críticas e questionamentos calando a boca das ovelhas com “não me toque que sou ungido do Senhor,” mas com trabalho, argumentos, verdade e sinceridade.

“Não toque no ungido do Senhor” é apelação de quem não tem nem argumento e nem exemplo para dar como resposta.

Rev. Augustus Nicodemus

quinta-feira, 11 de abril de 2013

CACHORRO MORDIDO POR PASTOR TEM MEDO DE PASTOR


O ditado original que deu origem ao título deste post é “cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça.” Mas me dei o direito de adaptar o adágio popular para falar de uma tragédia. Inúmeras pessoas fizeram contato comigo nos últimos tempos para contar histórias trágicas de abuso pastoral, traduzidas em atitudes que levaram o membro a sair da sua igreja. Não são poucos os casos de irmãos e irmãs que perderam a confiança no ministério pastoral por completo. Houve, inclusive, pessoas que me contaram como persistiram, indo, vez após vez, de uma igreja a outra. Até chegar à conclusão de que não há como confiar em um pastor.

Muitos se reportam a uma frase que já citei, do falecido Rev. David DuPlessis: “O Senhor é o meu pastor, mas nenhum pastor é o meu senhor”. De fato, o pastorado não intitula quem quer que seja a mandar sobre a vida dos outros. O tão citado “ungido do Senhor” não é uma pessoa inquestionável. Ele é chamado para servir. Ele é escolhido pelo Todo-poderoso para participar dos seus sofrimentos e ser um fiel despenseiro da multiforme graça de Deus. Mas as histórias se acumulam e, por isso, hoje o clero está desacreditado. Assim como há mulheres que afirmam que nenhum homem presta, também já se estabeleceu no imaginário coletivo que não há pastor que preste.

Só que, assim como linguiça parece cobra mas não é, há pastores que se parecem com outros, mas não são falsos, aproveitadores, arrogantes, interesseiros, déspotas, ditadores, preguiçosos ou gananciosos. Há muitos bons pastores que eu conheço pessoalmente. São homens chamados por Deus e cujas vidas são consagradas. São homens bons. Sim, existem homens bons no ministério. Alguns são mais cultos do que outros. Uns são mais preparados do que outros. Alguns são muito simples. Alguns não receberam um discipulado adequado. Mas estão buscando fazer o bem e cuidar do rebanho de Deus.

Lamento que o “pastor imprestável” tenha se tornado tão clichê. Essa figura se alojou na imaginação coletiva de uma maneira tão forte que é difícil falar de igreja sem que alguém levante logo um senão sobre esses imprestáveis.

Não é uma boa época para pastores, muito menos para bispos. Muitos acham que um título é, no mínimo, uma honraria que denuncia a vaidade de quem a invoca. Ledo engano. Para um servo de Deus, esses títulos apenas revelam o tamanho do nosso fardo e da nossa responsabilidade. O bom pastor sofre, ora, busca nas Escrituras o bom alimento para o rebanho, lidera, disciplina e, em alguns raros casos, precisa até ser firme com uns e outros que estão na igreja sabe-se lá por quê.

Não é uma vida fácil para os que a levam a sério. Se você tem um bom pastor, levante as mãos e dê graças a Deus. Ore por ele. Seja um bom discípulo. Se você ainda não achou um, saiba que existem.

Na paz,
+W

segunda-feira, 25 de março de 2013

DEUS É GAY?


Recentemente vi uma foto, em um aplicativo chamado Pinterest, de um rapaz de cabeça raspada e sem camisa que bradava em direção ao céu. O que me chamou a atenção é que em seu peito trazia escrito God is gay, ou Deus é gay. A imagem me causou espécie, claro. Mas, desde então, me pus a refletir sobre ela.

Muitos procuram no Estado uma espécie de reconhecimento. Seja pela obtenção de direitos políticos ou pela sanção dos poderes constituídos, desejam autenticar a sua existência. Essa ânsia de reconhecimento existe, claramente, nos grupos mais diversos, inclusive na própria igreja dos nossos tempos. Queremos bíblias expostas em praças e na entrada de prédios públicos, sabe-se lá por que — como se isso tivesse algum valor. Não tem. Mas muitos percebem a exposição de objetos de cunho religioso em lugares públicos como um tipo de avanço do Evangelho. Só que não é.

Aquele rapaz obviamente não se contenta com um movimento político. Ele quer se afirmar pela declaração do que crê ser a natureza de Deus. Mas Deus não é gay. Nem tampouco é homem, mulher, alto, baixo, branco, negro, de esquerda ou de direita, revolucionário ou conservador. Deus é além. Está acima de tudo. E Ele se revelou. Só que, ao afirmar que Deus é qualquer uma dessas coisas, o que fazemos? Tentamos atribuir legitimidade à nossa identidade, às nossas convicções ou às nossas vindicações. Ao atribuir o que seja a Deus, o que de fato estamos tentando é afirmar da forma mais inquestionável possível o que somos. Pois, afinal, o que há acima de Deus?

O problema é que, ao atribuir ao Senhor a nossa imagem, fazemos violência à sua imagem. Pois sua imagem não se limita à nossa. É certo que as Escrituras dizem que fomos criados à sua imagem e semelhança. Trazemos no cerne da humanidade a imagem de Deus, embora gravemente chamuscada pelo pecado. A violência que praticamos contra essa imagem reside no fato de tentarmos definir Deus pelo que fizemos com essa semelhança. Assim como o filho que trai o pai e depois quer que ele seja culpado pelos seus atos, nós traímos a nossa origem, rejeitando a sua imagem, para, em seguida, atribuirmos o que fizemos ao Criador. É uma falácia repetida ad nausium, geração após geração. E essa falácia é o fundamento de toda idolatria. Pois, ao fazermos Deus à nossa imagem e semelhança, rejeitamos a sua verdadeira imagem. Veja o que Paulo escreveu no primeiro capítulo de sua carta aos romanos:

18 Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, 19 pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. 20 Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; 21 porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. 22 Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos 23 e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.
24 Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos do seu coração, para a degradação do seu corpo entre si. 25 Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém.
26 Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. 27 Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.
28 Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam. 29 Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, 30 caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; 31 são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis. 32 Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam.

O texto não poderia ser mais claro. Só não entende quem não quer. Rejeitamos a verdadeira imagem de Deus, que vemos claramente no seu Filho, Jesus Cristo. Não somente lhe devemos honra e glória, mas devoção e reverência. Reverência à sua imagem. Reverência ao seu nome. Reverência à sua Palavra, que é a revelação de quem Ele realmente é. A questão aqui não é se Deus é ou não gay. A questão é que Deus não se parece conosco. Tragicamente, nos parecemos cada dia menos com Ele.

Na paz,
+W

domingo, 24 de março de 2013

MARIA DE TODOS NÓS


Muitos fatos inéditos envolvem a escolha do novo Papa da Igreja Católica, eleito semana passada. Primeiro, ele é sul-americano. Segundo, é jesuíta. Terceiro, escolheu o nome Francisco. Eu tremi ao ouvir suas primeiras palavras no posto, pronunciadas no balcão da basílica de São Pedro. Esse homem de 76 anos é o pastor-mor de uma nação de mais de um bilhão de seguidores, espalhados pelos quatro cantos do mundo. A cidadania de cada um não se deve a uma certidão de nascimento, mas sim a uma decisão pessoal, uma confissão de fé. Que fé é essa? Para o mundo, a fé cristã. Para os católicos, a única e verdadeira fé cristã. Para a grande maioria dos evangélicos, uma aberração, a fachada de uma igreja apóstata.

Entrei na minha página da Facebook e expressei um desejo: que Deus guiasse o novo Papa. Assim como oramos por chefes de Estado, conforme a Bíblia nos orienta a fazer, levantei uma oração por esse homem, que assume um fardo inimaginável. Afinal, o seu jugo não será leve. Terá de lidar com a corrupção da cúria do Vaticano e enfrentar o problema de pedofilia entre sacerdotes.

Claro que fiquei um pouco triste quando disse que, entre as suas primeiras tarefas, ele estaria orando para Maria. Esse é o maior muro que divide as duas tradições — católica e protestante —, pelo menos na prática. Para mim, o muro principal é outro. O muro ao qual me refiro vai muito mais fundo e diz respeito a natureza da fé e da salvação (assunto para outro dia). Mas, em todo caso, no conceito evangélico quase universal, o problema com os católicos reside na idolatria de Maria e dos santos.

Não há dúvida de que temos as nossas idolatrias também. Mas, nessa corrida de idólatras, eles estão 1.500 anos na dianteira. E, embora haja razões históricas que levaram a isto, nada desculpa o que acabou sendo abraçado pela nação Católica Romana no que diz respeito à mãe de Jesus.

Só que Maria não é um palavrão. Nem, tampouco, uma entidade do mal.

Sabemos que nos séculos 5 e 6, o culto à divindade Diana foi incorporado pela Igreja de Roma, numa espécie de acomodação cultural. Com isso, as imagens da deusa foram mescladas à pessoa da mãe de Jesus. Assim como o culto ao Sol foi misturado à celebração do nascimento de Jesus — o que levou à criação da festa de Natal —, esse sincretismo criou muita confusão. O resultado é que essa fusão de paganismo e cristianismo gerou aberrações de doutrina.

E não é só isso. Na briga pela doutrina da divindade de Jesus, Maria recebeu o título de “mãe de Deus” e não “mãe de Jesus”. Como diz o ditado popular, a emenda ficou pior do que o soneto. Ao tentar afirmar a divindade de Jesus, acabaram mesclando a humanidade de Maria com o divino. Ao longo dos séculos, a natureza humana, irremediavelmente idólatra, levou a situação de mal a pior, até que surgiu a doutrina de Maria como “corredentora”. Heresia!

Mas Maria não é culpada de nada disso. A jovem judia se submeteu à vontade do Espírito Santo. De fato ela é “bendita entre as mulheres” (Lc 1.42). As gerações a chamaram, e devem continuar a chamá-la, de “bem-aventurada”, pois o Senhor fez grandes coisas em seu favor.

Não devemos adorá-la. Devemos, no entanto, admirar a mãe do nosso Senhor. Não devemos orar para ela, pois Cristo é o único intercessor entre nós e o Pai. Ele nos ensinou a orar diretamente para a primeira pessoa da Trindade. Não precisamos pedir a intercessão da mãe de Jesus, nem tampouco dos mártires de outrora. Podemos entrar na presença do Pai com ousadia, sem a necessidade de que alguém nos represente, senão aquele que é o caminho, Jesus, e que continua a fazer intercessão perpétua em nosso favor, junto com o Espírito Santo (Rm 8).

Não saúdo Maria. Ela faleceu e está com o seu Senhor. Não saúdo também qualquer outro que já tenha partido desta vida. Mas convém que a tenhamos em grande estima. Sua memória é uma inspiração. Não sou filho de Maria. Sou filho de Deus somente, e isso por causa de Jesus.

Com todas essas ressalvas, ouso dizer: Maria ainda é de todos nós.

Na paz,
+W

quinta-feira, 21 de março de 2013

UMA SEGUNDA REFORMA? AVALIANDO AS DECLARAÇÕES INICIAIS DO PAPA FRANCISCO


O novo líder da Igreja Católica, escolhido em um dia considerado por muitos “cabalístico” (13.03.13), já recebeu diversos comentários e reações aos seus primeiros pronunciamentos. Mesmo sendo muito cedo para qualquer análise ou opinião, observamos que todos os segmentos, os dos católicos, evangélicos e até os que se declaram sem religião, estão, por razões diversas, perplexos.

Aqueles com os quais a mídia fez coro, na expectativa da eleição de um Papa que fosse “progressista”, se espantaram com a posição do Dom Jorge Mario Bergoglio, agora Papa Francisco, com relação à união de gays, à questão do homossexualismo como “apenas” uma opção sexual e sobre o aborto. Ele é contra, ponto final! Na esfera política latino-americana, o distanciamento do Papa da tiete chavista Cristina Kirchner e alegados alinhamentos passados com a direita argentina, também fez com que este grupo ficasse não somente eriçado, como igualmente frustrado. Em adição, muitos “sem religião”, que dizem não ligar a mínima para o papado, têm comentado essas posições e declarações do Papa, franzindo o cenho em desaprovação ainda que meio veladamente.

Católicos se espantaram porque ele não colocou, de início, o envolvimento social comoprioridade máxima da Igreja. Em vez disso, contrariou a mensagem que tem soado renitentemente ao longo das quatro últimas décadas, especialmente em terras brasileiras, proclamada pelos politizados “teólogos da libertação”, ou da natimorta “teologia pública”. Ele aparentou priorizar as questões espirituais!

Exatamente por isso, no campo evangélico, chamou atenção a sua declaração de que a missão da Igreja é difundir a mensagem de Jesus Cristo pelo mundo. Na realidade, o Papa disse que se esse não for o foco principal, a Instituição da Igreja Católica Romana tende a se transformar em uma “ONG beneficente”, mas sem relevância maior à saúde espiritual das pessoas! Ei! Disseram alguns evangélicos – essa é a nossa mensagem!!

Bom, não é a primeira vez na história que um prelado católico reconhece que a Igreja tem estado equivocada em seus caminhos e mensagem. Já houve um monge agostiniano que, estudando a Bíblia, verificou que tinha que retornar às bases das Escrituras e reavivar a missão da igreja na proclamação do evangelho, libertando-a de penduricalhos humanos absorvidos através de séculos de tradição. Estes possuíam apenas características místicas, mas nenhuma contribuição espiritual e de vida que fosse real às pessoas. Assim foi disparado o movimento que ficou conhecido na história como a Reforma do Século 16, com as mensagens, escritos e ações de Martinho Lutero, em 1517. Lutero foi seguido por muitos outros reformadores, que se apegaram à Bíblia como regra de fé e prática.

Entendo, portanto, que não seria impossível uma “segunda reforma” dentro da Igreja Católica, se esta declaração inicial do Papa Francisco for levada a sério, por ele próprio e por seus seguidores. É importante lembrar, entretanto, que proclamar a mensagem de Jesus Cristo é algo bem abrangente e sério. Entre outras coisas que poderiam ser mencionada, a Igreja Católica precisaria se definir com coragem nessas cinco áreas cruciais:

1. Rejeitar apêndices aos livros inspirados das Escrituras. Ou seja, assumir lealdade apenas às Escrituras Sagradas, rejeitando os chamados livros apócrifos. Proclamar as palavras de Jesus, nesta área, é aceitar tão somente o que ele aceitou. Em Lucas 24.44, Jesus referiu-se às Escrituras disponíveis antes dos livros do Novo Testamento, como “A Lei de Moisés, Os Profetas e Os Salmos” – essa era exatamente a forma da época de se referir às Escrituras que formam o Antigo Testamento, em três divisões específicas (Pentateuco, livros históricos e proféticos e livros poéticos) compreendendo, no total, 39 livros. Representam os livros inspirados aceitos até hoje pelo cristianismo histórico, abraçado pelos evangélicos, bem como pelos Judeus de então e da atualidade. Ou seja, nenhuma menção ou aceitação dos livros apócrifos, não inspirados, que foram inseridos 400 anos depois de Cristo, quando Jerônimo editou a tradução em Latim da Bíblia – a Vulgata Latina[1]. Evangélicos e católicos concordam quanto aos 27 livros do Novo Testamento, mas essas adições à Palavra são responsáveis pela introdução de diversas doutrinas estranhas, que nunca foram ensinadas ou abraçadas por Jesus e pelos apóstolos. Proclamar a palavra de Jesus ao mundo começa com a aceitação das Escrituras do Antigo e Novo Testamento, e elas somente, como fonte de conhecimento religioso e regra de fé e prática.

2. Rejeitar a mediação de qualquer outro (ou outra) entre Deus e as Pessoas, que não seja o próprio Cristo. Não acatar a mediação de Maria, e muito menos a designação dela como co-redentora, lembrando que o ensino da palavra é o de que “há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2.5). Na realidade, a Igreja precisa obedecer até à própria Maria, que ensinou: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2.5); e Ele nos diz: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao pai, senão por mim” (João 14.6). Foi um momento revelador da dificuldade que o Papa tem na aderência a essa mensagem da Bíblia, observar sua homilia pública (angelus) de 17.03.2013. Após falar várias coisas importantes e bíblicas sobre perdão e misericórdia divina, finalizou dizendo: “procuremos a intercessão de Maria”... Não é assim que irá proclamar a palavra de Jesus ao mundo, pois precisa apresentá-lo como único e exclusivo mediador; nosso advogado; aquele que pleiteia e defende a nossa causa perante o tribunal divino.

3. Rejeitar as imagens e o panteão de santos composto por vários personagens que também são alvo de adoração e devoção devidas somente a Cristo. Essa característica da Igreja Católica está relacionada com a utilização de imagens de escultura, como objeto de adoração e veneração; e também precisaria ser rejeitada. Ela contraria o segundo mandamento e desvia os olhos dos fiéis daquele que é o “autor e consumador da fé - Jesus” (Hebreus 12.2). Proclamar a palavra de Jesus ao mundo significa abandonar a prática espúria e humana da canonização de mortais comuns, pecadores como eu e você, em complexos, mas inúteis processos eclesiásticos, que não têm o poder de aferir ou atribuir poderes especiais a esses santos.

4. Rejeitar o ensino de que existe um estado pós-morte que proporciona uma “segunda chance” às pessoas. A doutrina do purgatório não tem base bíblica e surgiu exatamente dos livros conhecidos como apócrifos (em 2 Macabeus 12.45), sendo formalizada apenas nos Concílios de Lyon e Florença, em 1439. Mas Jesus e a Bíblia ensinam que existem apenas dois destinos que esperam as pessoas, após a morte: Estar na glória com o Criador – salvos pela graça infinita de Deus (Lucas 23.43 e Atos 15.11), ou na morte eterna (Mateus 23.33), como consequência dos nossos próprios pecados. Proclamar a palavra de Jesus ao mundo é alertar as pessoas sobre a inevitabilidade da morte eterna, pregando o evangelho do arrependimento e a boa nova da salvação através de Cristo, sem iludir os fiéis com falsos destinos.

5. Rejeitar os “mantras” religiosos, que são proferidos como se tivessem validade intrínseca, como fortalecimento progressivo pela repetibilidade. É o próprio Jesus que nos ensinou, em  Mateus 6.7: “... orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos”. É simplesmente incrível como a ficha não tem caído na Igreja Católica, ao longo dos séculos e, mesmo com uma declaração tão clara contra as repetições, da parte de Cristo, as rezas, rosários, novenas, sinais da cruz etc. são promovidos e apresentados como sinais de espiritualidade ou motivadores de ação divina àqueles que os repetem. Proclamar a palavra de Jesus ao mundo é dirigir-se ao Pai como ele ensina, em nome do próprio Jesus, no poder do Espírito Santo, abrindo o nosso coração perante o trono de graça (Filipenses 4.6).

Confesso que admiro a coragem deste homem, que, enquanto cardeal se pronunciou claramente contra alguns pecados aberrantes que estão destruindo a família e a sociedade. Peço a Deus que dê forças às nossas lideranças evangélicas, e a nós mesmos, para termos intrepidez no interpelar de governantes e da mídia, quando promovem leis e comportamentos que contradizem totalmente os princípios que Deus delineia em Sua Palavra. Estes sempre são os melhores para o bem da humanidade, na qual o povo de Deus (incluindo nossos filhos e netos) está inserido.

Mas quanto a uma possível Segunda Reforma, vou ficar cauteloso e com muitas dúvidas. No momento em que eu testemunhar mudanças, como as que apresentei acima, vou me animar, entusiasmar e bater palmas – talvez ela esteja em andamento! Até lá, entretanto, continuarei triste em ver tantos olhos e esperanças fixados em mitos, misticismo e na pessoa humana, em vez de no Deus único soberano, esperança de nossas vidas, que nos fala em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, que é real e eterno e não temporal como o Papa.

Solano Portela



[1] A Vulgata Latina (382 – 402 d.C.), tradução para o latim, da Bíblia, contém 73 livros (e não 66) além de adições de capítulos em alguns livros do Antigo Testamento, que não constam dos textos hebraicos, nem da Septuaginta (tradução para o Grego, do Antigo Testamento, realizada em torno de 280 a.C.). Estes livros adicionais são chamados de livros apócrifos (duvidosos, fabulosos, falsos). O próprio Jerônimo colocou notas de advertências, quanto à canonicidade e validade dessas adições, mas essa cautela foi suprimida nos séculos à frente. Sua aceitação como escritura canônica, no seio da Igreja Católica, foi formalizada pelo Concílio de Trento, em 1546 d.C. Desapareceu, assim, a compreensão de que aqueles livros estavam ali colocados por “seu valor histórico” ou devocional. É possível que se Jerônimo soubesse, que na posteridade seriam considerados parte integral da Bíblia, provavelmente não os teria incluído em seu trabalho.