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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

TODO MUNDO ESTÁ SAINDO NO BRAÇO


Estou bastante cansado. Cansado da guerra que me rodeia, da angústia e da maldade que jorra pelos poros desta civilização decadente. Sejamos francos: estamos todos com a paciência mais do que esgotada. É escândalo após escândalo, CPIs que não dão em nada e taxas elevadas à revelia e sem respeito pelo trabalhador que está ralando para dar conta do leite das crianças. Sentimos raiva de qualquer pessoa. Nem Deus escapa: ficamos impacientes com ele por deixar tantas obras carnais e exploratórias acontecerem em nome de Jesus. Vivemos os tempos que foram previstos pelo Mestre:

Tudo isso será o início das dores. Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa. Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo. (Mt 24.8-13)

“Início das dores”??? Eu queria que fosse o fim delas! Mas, pelo que vemos, a maldade ainda tem muito fôlego – muito mais do que gostaríamos que tivesse. Veja para onde tudo isso está nos levando: traições, ódio, falsos profetas, engano, maldade. E, como resultado, o amor de muitos esfria.

Não nos tratamos com educação. Não dialogamos com o próximo de forma respeitosa. Temos mais prazer em ter razão do que em ajudar alguém a enxergar o seu engano. Temos raiva de quem discorda de nós. Temos ódio de quem se recusa a dar o braço a torcer. A gente até torce com força, mas isso não parece ajudar as pessoas a raciocinar direito. Bradamos nossos argumentos com um fel assustador. Ofendemos pelas nossas colocações. Não faltam oportunidades para descontar no próximo. E, se elas não surgem naturalmente, nós as criamos.

Somos de fato uma civilização em franca decadência. Como posso afirmar isso? Se você analisar a história das civilizações verá que sempre há duas fases distintas mas comuns na trajetória de uma sociedade, seja ela antiga ou moderna, babilônica, romana ou globalizada (ou, como costumo dizer, “americanizada”): um período de formação e apogeu e outro de decadência. Via de regra, essas duas fases apresentam as mesmas características na caminhada de qualquer civilização.

A etapa de formação e apogeu é sempre marcada por uma surpreendente hegemonia de ideias. Os valores são compartilhados. Todos se entendem. Há uma certa pax romana no que diz respeito ao intercâmbio entre os cidadãos – são “compadres culturais”, por assim dizer. É fácil nesse momento da vida de uma civilização ir e vir e falar e ser entendido – porque todos valorizam praticamente as mesmas coisas. A história de cada indivíduo é parecida, embora muito pessoal, por ser norteada por valores em comum.

Já na fase de decadência, tudo segue em sentido contrário. As palavras, embora comuns a todos, não significam mais a mesma coisa. A comunicação se torna cada vez mais difícil, até chegar a um efeito “babel”, no qual ninguém parece se entender. É paradoxal que nunca tivemos tantos meios para nos comunicar como no mundo de hoje, mas, de igual modo, nunca tivemos tanta dificuldade de nos entender.

O tecido da nossa cultura depende de entendimento, de “estradas” de comunicação pelas quais todos podem transitar sem ficar esbarrando uns nos outros. Mas esse tecido está sendo esfacelado: não nos comunicamos mais e o discurso parece ter morrido. O que sobrou é propaganda. Como disse o filósofo francês Jacques Ellul, “a propaganda é o mal da nossa geração”. Propaganda substitui e ridiculariza o diálogo. Bate na mesa. Bate no peito. Derrama uma lágrima. Manipula emoções. O indivíduo racional e ponderado parece um chato pedante. Parece alguém da era dos mil réis – um dinossauro cultural. “Volte para a sua biblioteca, vovô. Mande-me um e-mail e pronto”.

Pois é. Estamos assim, agressivos, gritando. Pior: sem nenhum amor. Nos tornamos impiedosos, impulsivos, ofensivos, desrespeitosos, preguiçosos, briguentos e intragáveis.

Temos que parar. Eu tenho que parar. Você tem que parar. Temos que tirar as luvas de boxe. Temos que esfriar a cabeça. Temos que desligar os meios de comunicação que estão nos imbecilizando. Temos que carregar um livro conosco em vez de ler a revista Caras. Temos que pensar um pouco. Temos que orar mais. Temos que orar. Temos que… bem, é isso.

E, quando nos acalmarmos, vamos conversar. Com a Bíblia aberta e o coração em paz, vamos falar da Trindade; da fé; do calvinismo; dos dons do Espírito; da interpretação da passagem bíblica A, B ou C; da missão; da Igreja; e de mil outros assuntos que precisam ser tratados. Precisam mesmo! Temos que fazer algo! Pois as colunas da nossa civilização estão desmoronando. Enquanto Roma pega fogo, os bárbaros fazem seus reality shows.

Já sei, estou misturando todas as minhas referências – antigas e novas – e fazendo uma sopa da desordem que nos cerca. Mas é isso mesmo que está acontecendo. Estamos chamando debem o que é mal. Elegemos criminosos. Vegetamos em frente à telinha. Estamos aplaudindo os que nos fazem de palhaços. Estamos perdendo a paz e ficando com o Q.I. de um quiabo.

Os anjos choram. Será que é tarde demais? Minhas súplicas ao Senhor são para que não seja. Queira Deus que não seja tarde demais! Mas parece que é o início das dores mesmo…

Na paz,
+W

DEVO SAIR DA MINHA IGREJA?


sábado, 12 de janeiro de 2013

VALENTE PRÁ VALER!

Ontem assisti o desenho animado da Disney intitulado "Valente". O filme conta a história de uma menina que é a mais velha da família e que será a futura rainha do reino, seu pai é um rei e um grande guerreiro e sua mãe uma rainha exemplar. O filme mostra a educação que a mãe dá a filha que contrasta com o real desejo da menina, até chegar a adolescência onde acontece o enredo do filme.

É interessante destacar que finalmente a Disney criou uma princesa diferente com cabelos encaracolados e ruivos, bem diferente do padrão de anos onde as princesas tinham seus cabelos lisos e impecáveis, faz lembrar da música do Crianças Diante do Trono: "Você é linda demais, perfeita aos olhos dos pais..." Não precisamos seguir o padrão da Disney, Deus nos criou perfeitos. Para mim minha filha é uma princesa linda!

Mas continuando a história, a mãe resolve arranjar um noivo para filha, mas não é isso que a moça quer por enquanto, e aí o conflito chega ao seu clímax, num impulso a menina acaba ofendendo a mãe ao cortar uma tapeçaria e a mãe ofende a filha jogando seu arco no fogo.

A menina se sente angustiada e resolve fugir e se depara com uma bruxa, daí surge a grande idéia de fazer um feitiço que mudasse sua mãe.

Só que a mudança que acontece é que sua mãe acaba se tornando uma ursa e aí a menina se da conta de que não era isso que queria e começa uma grande aventura antes do 2º nascer  do sol para que o feitiço não se torne permanente. É neste momento que mãe e filha descobrirão os verdadeiros valores uma da outa.

O filme é muito bonito e emocionante, e tirando toda a influência que a Disney traz de bruxas e magias, podemos tirar algo proveitoso prá nossa vida.

Paulo em sua carta aos Efésios diz:

Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa) 
(Efésios 6:2 RA)

Precisamos aprender a honrar ou respeitar nossos pais, mesmo que não entendamos o que eles querem dizer. É normal chegarmos na adolescência e questionarmos muitas ações de nossos pais, esta é uma fase de mudanças e questionamentos, mas precisamos entender que nossos pais nos amam e sempre querem o melhor para nossas vidas, eles podem até errar mas se o fizerem é na tentativa de lhe dar o melhor.

Por outro lado nós pais, precisamos ter cuidado e paciência com nossos filhos, precisamos lembrar que nós também passamos pela adolescência e tivemos os mesmos ou semelhantes conflitos. Por vezes esquecemos de nosso tempo de mudanças e queremos proteger nossos filhos. Não há problema algum em querer protegê-los, é normal, o problema é o excesso. Precisamos amá-los e protegê-los respeitando o espaço deles. O mesmo Paulo em sua carta aos Efésios também traz uma orientação para os pais.

E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. (Efésios 6:4 RA)

Quando passei pela minha adolescência (que por sinal não tem muito tempo rsrs), sempre fui muito atuante na igreja e meu pai era o pastor e lembro que sempre o questionei sobre muitas questões da igreja, algumas vezes de forma áspera e ofensiva e meu pai sempre com muita paciência (às vezes não, rsrs) sempre me educava. Hoje sou presbítero da igreja e continuo atuante, só que agora eu que sou questionado e hoje entendo muitos ensinamentos que ele trouxe para minha vida. Obrigado Pai, por me ensinar mesmo em meio a minha "rebeldia" da adolescência, hoje sou uma pessoa melhor graças a disciplina e admoestação que o senhor me deu.

Assista "Valente" e aprenda a ser um filho, filha, pai e mãe valente prá valer!

Pb. Erikson F. de Araújo

sábado, 5 de janeiro de 2013

COMO EU ME RECUPERO DO FRACASSO?


O PROTESTO INFUNDADO


Que tempos interessantes são estes! Para os mais velhos é uma época estranha, assustadora e, até certo ponto, incompreensível. “Como pode?” é um questionamento que gente da minha geração anda se fazendo muito, a ponto de eu ficar até um pouco impaciente quando o escuto. Minha resposta se resume a “é o que é”. Qualquer aluno de História sabe que mudanças são uma das certezas da vida, aconteçam elas a um indivíduo ou a uma cultura, uma sociedade ou uma civilização. Fui lembrado recentemente que um dos impérios mais gloriosos da face da terra, a Babilônia, hoje nada mais é do que um dos maiores parques arqueológicos do mundo. Ou seja, ela não passa de milhares de quilômetros quadrados de ruínas e areia. Quem diria que os jardins suspensos da Babilônia, tidos como uma das sete maravilhas do mundo antigo, passariam por uma mudança tão absoluta e irreversível. O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein até pensou em reconstrui-los, mas isso jamais ocorreu.

O ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, já falou: “Queremos que tudo seja como sempre foi, mas a História não permite”. Pronto. É isso. As coisas mudam. Quem vai discordar? Quem vai tentar provar o contrário? Insensatez e jactância. É uma tarefa inútil e impossível tentar argumentar pela permanência perene de qualquer coisa. Até a Bíblia diz que “céus e terra passarão, mas a minhas palavras jamais passarão” (Mt 24.35).

Por outro lado, diga que as coisas vão mudar para pior e um coral de vozes se levanta em protesto. “Pessimista!”, “incrédulo!” e “infiel!” são acusações que constam entre as muitas já feitas contra mim. Mas eu creio. Creio nas palavras do Mestre. Creio somente no que não passa. Creio na certeza do Céu. Creio na obra da Cruz. Creio em Deus Pai, criador dos céus e da terra. Creio em seu unigênito Filho. Creio no Espírito Santo. Creio na Santa Igreja. Creio que um dia Cristo voltará para resgatar os seus e para julgar toda a criação. Creio piamente nisso. E aposto todas as minha fichas no que creio.

Todavia, não creio no modelo atual adotado por grande parte da Igreja. O Corpo de Cristo já passou por tantas fases que seria absurdo pensar que aquilo que entendemos por igreja, e como ela se manifesta na atualidade, é o que ela sempre será até a volta de Jesus. Isso seria negar o testemunho da História e até das Escrituras Sagradas.

Tampouco creio em muitas das práticas que hoje poluem a Igreja. São próprias da nossa geração, pois não foram utilizadas pelos nossos antepassados nem pelos heróis da fé. “Determinar”, “tomar posse” e “sapatinho de fogo”, entre tantas outras, são expressões específicas da nossa geração, bem como doutrinas como a Teologia da Prosperidade e outras. Os que dizem que toda essa poluição está na Bíblia têm que contender com o testemunho dos nossos pais na fé. Têm que argumentar contra o peso da literatura cristã produzida nos últimos dois mil anos.

Nos meus vídeos e posts publicados aqui tenho tratado pontualmente dos elementos que fazem parte da doutrina e da prática saudáveis, assim como daquilo que diverge da ortodoxia e da ortopraxis. Prometo continuar a fazer exatamente isso ao longo de 2013. Neste site, nem todos os comentários serão expostos, tampouco tratados. Certamente os que se limitam a me acusar de ser incrédulo ou pessimista não terão suas vozes ecoadas aqui. Vejo pelos sites que costumam reproduzir meu material que há um grupo que tem prazer em me desmerecer. Aí, já é prerrogativa dos que administram tais sites dar voz aos que sumariamente querem fazê-lo sem dar ouvidos às minhas ponderações. Mas volto a dizer: cada uma delas é preparada com o propósito de promover saúde e vigor espiritual e ajudar aqueles que compõem a Igreja a ter uma leitura fiel dos tempos em que vivemos e das Escrituras que atravessam os tempos sem nunca mudar a sua mensagem. Sim, céus e terra estão passando. Estão enfrentando mudanças. Mas as palavras do Mestre permanecem, tanto no que diz respeito a seu sentido quanto à sua mensagem e ao seu poder.

Na paz,
+W.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

TUDO IGUAL? - PAULO CESAR BARUK

ARRANQUE UM OLHO EM 2013


O mês de janeiro tem esse nome em homenagem a um deus da mitologia romana, chamado Janus, que era conhecido por ter duas faces: uma era voltada para trás, para o passado; a outra era voltada para o futuro, para frente. Janus era, assim, a divindade associada às transições. Nesta semana entre o Natal e o ano-novo vivemos novamente uma passagem simbólica do velho para o novo, o ano que se passou e o que está chegando.

A virada do ano é marcada por uma explosão de palavras, emoções, festas e desejos de prosperidade, felicidades, muita paz, muita saúde etc. etc. etc… São chavões e mais chavões a que ninguém parece conseguir resistir. Até entre irmãos na fé vemos essa compulsão de desejar a todos as mesmas “alegrias”.

Mas permita que eu lhe deseje algo completamente diferente. Desejo que você consiga arrancar um olho em 2013. Isso mesmo: que consiga arrancar um olho. Para explicar o que quero dizer, cito as palavras do Nosso Senhor.

Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. E se a sua mão direita o fizer pecar, corte- a e lance- a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno.(Mt 5.29)

Ao nos lembrarmos das lutas e das alegrias, das vitórias e das derrotas de 2012, creio que poucos poderão, se forem honestos, lembrar-se do ano sem uma pontada de remorso. Esse não é um pensamento “alto astral”, eu sei. Mas é um fato. Há coisas que preferimos esquecer. Até porque não nos faz bem nos lembrarmos delas. São coisas que dificultaram a nossa caminhada com Deus, que nos levaram a lamentar a nossa condição pecaminosa, coisas que fizemos, falamos ou até pensamos e são indignas de quem se diz discípulo de Cristo.

Essas coisas não podem continuar. Precisamos resistir a elas, estirpá-las da nossa vida. Se deixadas livres e soltas, podem desfazer tudo o que temos por precioso. Objetivamente: são pecados. É certo que vão nos destruir se seguirem livres e desenfreados.

Esses pecados não entram pela pele. Entram por outras vias. Não flutuam no ar, masexistem fora de nós. Afinal, as tentações e os atrativos deste mundo são mediados. Valem-se de veículos para nos alcançar. Por meio de uma avalanche de meios de comunicação se apresentam, se insinuam, chamam e procuram ocupar a nossa mente e se apossar da nossa alma. Fazem com que os nossos ossos adoeçam e com que nos desviemos de uma vida pura e voltada totalmente para aquele que é perfeita luz. É o mundo, com tudo o que esse conceito abrange. É o fascínio mundano. É o mundo de consumo. É o mundo da beleza fascinante. É o mundo do poder. É o mundo da volúpia. É o mundo da celebridade. É o mundo da ganância. É o mundo da vanglória. É o mundo da violência. É o mundo da gula e da bebedice. É o mundo todo que nos invade, como uma onda que nos pega e quer nos levar para o fundo.

Esse mundo só terá poder sobre nós se lograr êxito em achar uma via de entrada. Ou pelos olhos ou pelos ouvidos – o mundo só manifesta o seu poder se lhe damos o direito de entrada. Como nos filmes de vampiro, o vilão só pode entrar pela porta da casa se o dono lhe fizer um convite direto. Após isso, ele entra e mata a vítima com a sua mordida mortal. Do mesmo modo, o mundo só pode nos morder se o convidamos a entrar. E temos feito exatamente isso. Sem nos dar conta do que estamos fazendo, deixamos o mundo invadir nossa vida. Ligamos a televisão e assistimos ao que não convém. Ouvimos as fofocas, lemos as revistas de celebridades, enchemos os nossos olhos com o que é francamente venenoso para a nossa alma. E, no fim, a alma se perde.

Jesus disse que é melhor ficar cego do que perder a alma. É melhor perder o mundo do que perder a alma, que vale mais do que o mundo todo. Qual é o meu desejo para você em 2013? Que feche a porta. Não estenda o convite para o que vai mordê-lo.  Estamos numa transição entre o velho e o novo. É a época do ano em que pensamos nessas coisas. Então, antes que seja tarde, antes que o novo seja apenas a reedição do velho, “arranque um olho” (por assim dizer). Tome uma atitude de desligar algo, cancelar algo, cortar os laços com algo. Pois a sua alma vale mais do que tudo o que você poderá “perder”. Vale muito mais.

Na paz,
+W